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Relações Tóxicas e Relações Saudáveis
Postado em 8 de Junho de 2016.

Muitas pessoas nos questionam do porque algumas relações provocam tanto sofrimento, mas mesmo assim não conseguem abandonar estes vínculos. Ao mesmo tempo, se questionam do motivo de se sentirem presas a estes relacionamentos. Geralmente elas gostariam muito de deixar estas relações e começar algo novo em suas vidas, mas existe algo que as impede de sair, e por mais que não existam mais motivos que as mantenham presas a estas relações, se sentem como passarinhos em uma gaiola com a porta aberta, que não podem voar.


A maioria destas pessoas gostaria de encontrar uma saída para esta situação, mas na maior parte do tempo a solução que buscam é como transformar estes relacionamentos adoecidos, que se tornam tóxicos pelo sofrimento que geram, podendo adoecer no nível psicológico ou até mesmo físico, em vínculos saudáveis que devolvam o equilíbrio, a harmonia e o bem estar.


Antes de responder esta questão precisaríamos definir: o que torna uma relação tóxica, e o que torna uma relação saudável? Como já trabalhamos em outros textos a grande importância psicológica dos relacionamentos em nossa vida diz respeito ao processo de individuação, no sentido de que reconhecemos a própria individualidade a partir do olhar que os outros nos devolvem de nós mesmos, e que contribuem por sua vez para a construção da auto-imagem.


Esta é uma das principais características que torna o ser o ser humano um animal social, e por este motivo somos essencialmente tão dependentes uns dos outros, pelo fato de que dependemos das trocas dos nossos olhares para nos reconhecermos como sujeitos. Sem estas trocas, que em última instância são trocas afetivas, o ser humano praticamente perde o sentido de sua existência, a não ser quando este isolamento tem um propósito de autoconhecimento e transcendência dos próprios limites.


Assim, o principal traço que diferencia uma relação saudável de uma relação tóxica, no sentido psicológico, diz respeito à qualidade da imagem que ela é capaz de devolver de nós mesmos, no sentido de contribuir com a construção de uma auto-imagem fidedigna com aquilo que verdadeiramente somos. Sobretudo, as relações nos ajudam a reconhecer os potenciais daquilo que podemos vir a ser, dando sentido à existência enquanto favorecem o próprio desenvolvimento.


Resumidamente uma relação saudável nos permite reconhecer nossos principais traços de personalidade, nos ajudando a tomar consciência daquilo que temos de melhor, fortalecendo assim a auto-estima. As relações saudáveis também nos permitem perceber nossos pontos fracos, de uma maneira que tenhamos condições de superá-los a partir de um sentimento de segurança e confiança em nós mesmos.


Por outro lado, as relações tóxicas colocam sempre o foco nos aspectos negativos de nossa imagem. Constantemente expressam críticas de forma pessoal, fazendo com que nos identifiquemos com estas características negativas, contribuindo assim para a construção de uma auto-imagem mais fraca e conseqüentemente mais insegura e pouco confiante em si mesma. Estas relações reforçam crenças negativas baseadas em uma falsa noção de incapacidade, gerando assim vínculos carregados de dependência e com falta de autonomia.


Muitas vezes, estes padrões de comportamento não são tão conscientes, mas em algum nível sempre sentimos o quanto isto nos adoece. Como dissemos, seria muito mais fácil nos afastarmos desse tipo de relação. Acontece que muitas vezes estas relações estão dentro da nossa família, ambiente de trabalho e nos relacionamentos amorosos, e por diversos motivos nos sentimos presos a estas pessoas. Geralmente quando se tem a oportunidade de sair e se libertar, nos agarramos a estas relações como um náufrago a uma boia de salvação.


A explicação para estas situações é que estas relações por estarem adoecidas, geram sintomas bem característicos, e por mais confuso que pareça, o que estas relações nos oferecem é uma maneira particular de nos relacionarmos com nossos próprios sintomas. Por isso, não podemos simplesmente abandonar estas relações, pois já estamos identificados com o sintoma, ou em outras palavras com aquilo que nos faz sofrer. Perdê-lo nos colocaria frente à obrigação de lidar com o próprio vazio, e termos de compreender qual o significado que este sintoma ocupava em nossa vida, como forma de representar e expressar a nossa própria história.


Costuma-se dizer que em terapia, nos momentos que antecedem a cura, a pessoa apresenta uma resistência para se desapegar deste sintoma. Mas como sempre reforçamos é preciso cortar o mal pela raiz, e tentamos compreender neste ponto: o que está por trás deste sintoma? Isto implica em necessariamente descermos o nível de profundidade da análise de nossa construção psicológica, e adentrarmos nos porões sombrios do inconsciente a fim de desvendarmos alguns mistérios.


O primeiro passo é compreendermos definitivamente que todas as pessoas têm este vazio, isto faz parte da nossa constituição humana, é o que muitos teóricos chamam de a “incompletude do ser”. Este espaço incompleto do ser humano significa que nós somos seres em construção, ou um projeto que nunca será acabado. No sentido de que até o último dia de nossa vida teremos o desejo de algo que possa vir a preencher este vazio.


A partir do momento em que aceitamos este espaço, podemos começar a nos relacionar com ele de uma maneira mais clara e apropriada, sem a necessidade de projetá-lo em nossas relações. Este espaço vazio, a princípio é algo sem forma, ou até mesmo sombreado ou pouco consciente, mas ele se comunica conosco através dos desejos que buscam justamente dar forma para esta pulsão.


Quanto mais consciência você tiver da natureza dos seus desejos e do significado que eles representam dentro do seu processo de desenvolvimento pessoal, poderá vivenciá-los de uma forma mais saudável e autônoma, construindo vínculos que fortaleçam a sua própria individualidade. O significado da palavra individualidade representa aquilo que não se divide. Por isso, as relações saudáveis são constituídas de dois indivíduos inteiros e plenos. Só assim pode-se constituir uma união e um todo saudável, equilibrado e harmônico.


Uma vida social saudável apresenta uma diversidade de perspectivas que alimentam e nutrem a auto-imagem. Você pode se olhar no espelho e saber como é a sua aparência, mas é somente nas interações e relacionamentos que é possível reconhecer a própria personalidade em um nível mais profundo. Por isso, deve-se evitar que a auto-imagem fique aprisionada pelo olhar de alguém que maltrate sua auto-estima. Neste sentido, buscar ampliar a consciência sobre si é a melhor saída, e o melhor caminho é o autoconhecimento.


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