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Relacionamentos Impulsivos
Postado em 1 de Junho de 2016.

Seguimos explorando as principais causas de conflitos nos relacionamentos e nos deparamos com um perfil de vínculo muito comum nos dias atuais, o dos relacionamentos impulsivos. Como é de se esperar a abundância de estímulos sensoriais pelos quais estamos expostos ultimamente causa uma falsa sensação de imediatismo na busca pela satisfação destes impulsos.


Estamos entrando definitivamente na era das imagens, e nossa relação com o outro está cada vez mais baseada naquilo que se vê, a partir daquilo que se apresenta como algo esperado ou desejado. Desta forma, todas as imagens às quais estamos expostos diariamente permitem nos projetarmos e nos identificarmos com os modelos que aparentemente encontraram esta realização e satisfação.


Assim, é necessário se apresentar como uma pessoa realizada e “feliz”, para que desta forma se possa atrair o desejo do outro a partir da projeção da sua própria necessidade de auto realização, através do modelo que se apresenta como sendo a “fórmula do sucesso pessoal”.


As imagens com as quais nos identificamos, curtimos e compartilhamos diz muito mais a respeito daquilo que gostaríamos de ser, do que daquilo que verdadeiramente somos. A máxima que impera neste modelo é: “quanto mais feliz, mais desejável”.


Por isso, assistimos diariamente nas redes sociais uma avalanche de felicidade, e auto realização, porém, percebemos na prática que na realidade muitas pessoas estão sofrendo demasiadamente com esta exposição, e se sentem obrigadas a se mostrarem felizes e satisfeitas com as próprias vidas, mesmo quando muitas vezes estão passando por sérias dificuldades pessoais e emocionais.


No entanto, a maioria das pessoas não consegue encontrar neste espaço um meio para expressar e acolher suas angústias, esta é uma questão complexa porque justamente se trata da formação de um complexo típico do período em que estamos vivendo. Poderíamos chamá-lo de complexo da instantaneidade, cujo principal sintoma é a ansiedade gerada a partir de um imediatismo na relação com o outro.


A disponibilidade de meios para compartilharmos instantaneamente estes momentos fugazes de felicidade, assim como o alcance e a abrangência destes compartilhamentos, surpreende qualquer pessoa que esteja preso a sua suposta monotonia e tédio.


Existe um velho ditado que diz que “a felicidade é feita de momentos.” Sendo que um dos principais sintomas do complexo da instantaneidade é a busca desenfreada pelos impulsos imediatos que permitem o preenchimento deste espaço vazio interno a qualquer custo.


Como percebemos ultimamente, o que melhor preenche este espaço simbólico de incompletude são as imagens, sendo que a busca pela felicidade se transformou na busca por uma timeline repleta de momentos intensos, fugazes e supostamente felizes.


Aqui entra o assunto principal deste texto, uma vez que neste sentido se manifestam os relacionamentos impulsivos. Como dissemos, na busca desenfreada por estes momentos compartilhados instantaneamente, temos uma necessidade do outro para ocupar um papel dentro do cenário ideal que criamos para a expressão desta suposta realização.


Como existe uma ansiedade muito grande por este compartilhamento de imagens, este sentimento é projetado no outro que acaba por não ocupar um lugar efetivo e afetivo de troca emocional. O que reforçaria estes vínculos, trazendo mais confiança e segurança para ambas as partes. Porém, é como se deslocássemos o ponto de interesse no outro, para a abrangência do alcance que o compartilhar daquele encontro pode proporcionar.


Neste ponto dizemos que as relações ficam fetichizadas, no sentido de que não alcançam uma satisfação por si só. Resumidamente, o encontro com o outro não é o fim do meu interesse, mas apenas um meio para compartilhar esta experiência de suposta felicidade através deste encontro, gerando ainda mais interesse em diversos outros, agregando valor assim a minha própria imagem, procurando tornar esta autoimagem real mais próxima do EU ideal.


Assim, estamos usando literalmente os outros como escadas para esta alavancagem social. Em outros tempos tínhamos a figura do famoso alpinista social, que de alguma forma tirava vantagem de suas relações e vínculos sociais para alcançar status e poder social. Hoje é interessante como esta prática se tornou corriqueira nas redes sociais, e de alguma forma parece haver algum contrato implícito nestas relações que permitem este tipo de troca simbólica.


É importante pontuar que não procuramos fazer nenhum tipo de julgamento a nenhum comportamento que hoje é tido como absolutamente normal nas principais plataformas de relacionamento virtual.


Porém, é importante pontuar, também, que este deslocamento do eixo de interesse do verdadeiro encontro com o outro, para aquilo que ele representa na maneira como pode ser expresso através de uma imagem compartilhada, justamente reforça este espaço vazio gerado pelos desencontros afetivos e emocionais, ocasionados por sua vez, por esta necessidade de compartilhamento imediato e instantâneo.


Desta forma, precisa-se seguir alimentando o impulso por novas relações e conexões que possam ser compartilhadas a partir do valor que elas agregam a esta autoimagem ideal, e não pela verdadeira pulsão que seria a troca de afetos, de olhares, de carinhos ou até algo mais. De um encontro que possa ser vivenciado com presença de espírito e sentidos focados no momento em si.


Uma vez que são estas memórias internas, assim como os sentimentos e emoções gerados a partir das imagens subjetivas, que verdadeiramente irão preencher o sentimento de incompletude, e não necessariamente o seu número de seguidores nas redes sociais.


Para finalizar, a busca impulsiva por mais vínculos e conexões refletem uma necessidade de autoafirmação e também está inserida dentro do processo de individuação, que é a busca pelo reconhecimento de nossa individualidade a partir do olhar do outro. Por isso temos tanta necessidade de compartilhar estas imagens, pois os outros atestam, reconhecem e justificam a nossa existência.


Porém, este olhar do outro precisa ser desfrutado, para que esta imagem possa voltar a mim como um espelho atribuído de valor e significado. Mas isso exige um tempo para este encontro, se este tempo for perdido no impulso para um novo vínculo, a própria auto imagem se perde neste processo, pois ela perde o significado que o olhar do outro poderia atribuir a própria individualidade.


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