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Relacionamentos Abusivos – 1ª Parte
Postado em 15 de Junho de 2016.


Em nosso último artigo falamos sobre as relações saudáveis e as relações tóxicas (clique aqui). Quanto a este último tipo de relacionamento, percebemos que as relações regidas por uma dinâmica adoecida, geralmente seguem alguns padrões de dependência. Estes se formam a partir de alguma vulnerabilidade pessoal, na qual se transfere um poder emocional ao “Outro” de uma maneira desproporcional àquilo que a pessoa verdadeiramente representa.


Neste sentido, este “Outro” é atribuído de um poder irreal, em alguns casos até mesmo mágico, capaz de prover a segurança e o bem estar que oferecem estabilidade e equilíbrio emocional. Na verdade, este poder projetado no “Outro” diz respeito ao próprio poder pessoal, que por não ser reconhecido em si mesmo não se torna consciente e não fortalece a própria autoestima.


Contudo, muitas vezes este “Outro” se identifica com este poder, e em alguns casos pode passar a agir de uma maneira tirânica, assumindo uma espécie de controle e manipulação das fragilidades e vulnerabilidades emocionais de seus parceiros. Este tipo de controle se dá basicamente na exploração por parte deste “Outro” de uma auto-imagem fragilizada de seu parceiro, o que consequentemente enfraquece a sua autoestima.


Assim se reforça o vínculo de dependência, pois, desta forma, a pessoa não consegue estabelecer a segurança e a confiança em si mesma. No sentido de não acreditar que poderá vencer alguns desafios pessoais que a vida lhe impõe. Desta forma, é como se a mera presença deste “Outro” evocasse esta sensação de capacidade em si mesma, ou a segurança e a confiança que a permitisse enfrentar alguns desafios básicos do dia a dia.


O mecanismo que atua neste sentido é o de não permitir que a pessoa abusada emocionalmente assuma a consciência dos seus verdadeiros potenciais e valores, podendo desta forma readquirir a segurança e a confiança em si mesma, para quem sabe a partir daí começar a se libertar dos mecanismos abusivos que ainda a prendem a determinados vínculos.


As vítimas deste tipo de vínculo abusivo geralmente têm muita dificuldade para sair deste tipo de situação, uma vez que por não conhecerem seus próprios valores, não conseguem nem visualizar esta possível exploração. É preciso tomar muito cuidado com a identificação do papel de vítima, uma vez que as pessoas abusadas emocionalmente são a princípio vítimas de si mesmas, no sentido que sofrem a partir de sua própria condição psicológica, e como sempre dizemos: oportunistas sempre hão de pintar por aí.


Por outro lado, estes abusadores também só se identificam com este poder que lhes é projetado, apenas porque isto lhes permite compensar um déficit em sua própria autoestima. Sendo que, desta maneira também se tornam dependentes destes vínculos. Uma vez que esta imagem poderosa que lhes é projetada, muitas vezes irreal ou desproporcional àquilo que a pessoa verdadeiramente representa, permite que o abusador se sinta seguro emocionalmente nesta posição.


Assim o relacionamento abusivo se retro-alimenta nestas posições de interdependência. Porém, a coisa mais importante a se compreender neste processo, é que todo relacionamento abusivo parte sempre de um relacionamento abusivo consigo mesmo. Nós precisamos tomar muito cuidado com esta posição, uma vez que ela é uma condição delicada e como já foi dito, sempre se apresentam muitas dificuldades para abandonar estes padrões de relacionamento.


Mas, uma vez que alguém se percebe nesta condição de abuso, ou violência psicológica, tem a responsabilidade de buscar ajuda e deixar de permitir que alguns limites pessoais continuem sendo transgredidos constantemente, por mais que não se sinta em condições de deixar estes relacionamentos. Isto implica necessariamente em encarar alguns medos e traumas pessoais. Mas no fundo esta acaba sendo uma grande oportunidade de cura.


Por este motivo este passo é o mais difícil, mas uma vez que ele é dado grande parte do problema já estará sendo encaminhado, porque o reconhecimento desta condição é o primeiro passo para sair dela. Cuidamos sempre com o discurso da vitimização, porque ele não empodera o sujeito, e ainda transfere ao “Outro” o poder e a condição de lhe tirar desta situação.


Assim, a melhor saída para este padrão de relacionamento é sempre o trabalho nas próprias fragilidades pessoais, a fim de reconhecer os pontos vulneráveis e fortalecê-los a partir da conscientização dos próprios valores. Sem este trabalho de base no nível intrapessoal, sempre se dará margem para que esta projeção surja em outro relacionamento, e algum outro padrão de vínculo igualmente abusivo surja no lugar deste.


Desta forma, passa-se a substituir a figura abusadora enquanto ainda se mantêm identificado com o papel de vitima. É preciso reconhecer e se apropriar do próprio poder pessoal, assumindo a responsabilidade sobre o seu processo de cura. Ao encarar as próprias sombras, e vencendo os próprios medos reassume-se o controle sobre si mesmo e as rédeas da própria vida, mas geralmente não conseguimos fazer isto sozinho...




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