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O Orgulho e a Auto Estima: As duas faces de um mesmo Ego.
Postado em 13 de Novembro de 2016.

Constantemente, escutamos no dia a dia muitas expressões que se referem ao Ego como um vilão. Muitos exemplos nos cercam cotidianamente, afinal esta é uma palavrinha curta e aparentemente despretensiosa, mas que, muitas vezes ganha ares grandiosos. Como quando dizemos que “Fulano tem o ego inflado”, ou que “Ciclano poderia ser uma pessoa legal, mas têm um ego enorme”. Ou mesmo que “Beltrano precisa massagear o seu ego todos os dias”, e por aí afora...

Porém, se você der uma olhada ao seu redor neste exato instante, verá que o ego está em praticamente tudo a sua volta. Nós estamos constantemente interagindo com esta instância psíquica absolutamente 24 horas por dia, inclusive enquanto dormimos. Primeiramente, após uma breve observada no seu ambiente imediato, verá que tudo o que se percebe refere ao ego, pois, todo objeto percebido é permeado e interpretado pelo próprio ego.

A questão que nos interessa, neste presente contexto, diz respeito a quando este mesmo ego se encontra com outros egos. Como aconteceria em relação a qualquer outro objeto, este segundo ego será então interpretado à luz das suas próprias condições que invariavelmente serão determinadas pelas forças egoicas. Aqui, sempre ocorre um fenômeno muito interessante que frequentemente se desdobra em duas opções.

Em alguns casos, por algum motivo, estes dois egos ao se encontrarem e se espelharem mutuamente, através de seus olhares, se reconhecem em suas ambivalências e conseguem transcender seus pontos vulneráveis, ditos frágeis, em cada um. Estes pontos normalmente se referem àquilo que reconhecemos neste Outro, e que de alguma forma, ainda, nos falta em nós mesmos.

Quando conseguimos aceitar isto com tranqüilidade, estamos no fundo aceitando nossas próprias limitações, e podemos encarar e aceitar nossos próprios limites. Este é um ponto que geralmente nos confunde, pois limitações pessoais não significam necessariamente fragilidades. Porém, muitas vezes, focamos nos pontos fortes do outro, em detrimento do nosso ponto fraco, o contrário também pode acontecer como veremos adiante.

De qualquer forma, o que permite olharmos para este outro ego, e enxergar a sua ambivalência, seus pontos fortes e suas limitações, é podermos no fundo enxergar nossa própria ambivalência, no sentido da consciência das próprias características positivas e negativas.

Resumidamente, esta auto imagem consciente e consistente quanto a sua auto aceitação, se refere a própria Auto Estima. Em outras palavras sentimos estima, que é diferente do orgulho, pela nossa auto imagem, no sentido de que ela é nutrida afetivamente por nós mesmos, ou ainda, temos um ego bem estimado. Que mesmo dentro da consciência de suas limitações, ainda nutre um afeto positivo por si próprio, ou seja, é estimado por si mesmo.

Ao encontrar um oposto na mesma condição, podemos dizer que estes egos se abrem, ao passo que abandonam algumas defesas em relação a possíveis projeções na percepção do outro. As projeções geralmente se dão em decorrência de uma auto imagem distorcida, talvez por ainda não se sentir estimada ou amada por si mesma.

Quando se abrem para uma percepção mais limpa deste reconhecimento, ambos criam uma nova entidade referenciada em uma percepção complementar de si mesmo, que se for reforçada através do vínculo, ao longo do tempo ganha ares de uma identidade própria, como se fosse um novo ego maior, que pode vir, ou não a agregar outros membros, e se tornar um grupo.

Outra possibilidade deste mesmo encontro, é que por algum outro motivo estas consciências precisem se fechar, principalmente para si mesmas. Uma destas possibilidades de defesa é negar os atributos positivos do outro, reforçando desta maneira seus próprios aspectos positivos. Mesmo quando estas mesmas características, tão enaltecidas por si próprio, não se caracterizem como traços de segurança propriamente ditos.

De modo que, estes mesmos atributos que poderiam referenciar seus traços de auto estima, se apresentam desta maneira como traços de orgulho, muitas vezes visto de fora como traços de arrogância ou prepotência. Mas que, no fundo expressam uma verdadeira insegurança, ou vulnerabilidade, enquanto ainda estamos olhando para as próprias limitações como fragilidades, e não como pontos da nossa própria natureza que poderiam ser superados.

A própria palavra prepotência reconhece que existe em si uma potência, mas que se manifesta, no entanto, de uma forma precoce ou imatura, ou talvez, de uma maneira prévia a própria realização. Nisto, entende-se que esta suposta potência se coloca acima da necessidade do reconhecimento do Outro, por isso se expressa como prepotente.

 Na verdade, neste contexto, esta mesma suposta potência está fugindo neste encontro da própria provação. Compreende-se que esta necessidade parte de uma falta de auto aprovação, ou auto aceitação. Não necessariamente em relação à própria potência, mas em muitos casos os atributos positivos ficam sombreados pela própria limitação, enquanto não se aceita com verdadeira humildade os próprios limites.

Nesta linha de raciocínio, presumimos que os traços de orgulho, que emprestaram uma má fama ao ego, no fundo compensam os traços de insegurança e em grande medida os complexos de inferioridade. Desta forma, devemos ter bastante cuidado ao julgar e apontar o orgulho dos outros, pois ao fixarmos nossa percepção nestes traços, estamos de alguma forma apontando para as nossas próprias características que ainda não conseguimos encarar.

Concluímos, procurando trazer uma visão clara deste conceito tão importante para a psicologia e para todos nós. No sentido de que quando muitas vezes tentamos abandonar o próprio ego, estamos na verdade tentando superar nosso orgulho, que como visto, se refere a nossas fragilidades enquanto ainda vemos os limites desta maneira. Assim, podemos dizer que quando tentamos abandonar o ego estamos buscando superar nossas limitações nos tornando desta maneira pessoas melhores, o que em qualquer perspectiva é um traço digno e deve ser valorizado e reforçado.

O que interessa é que só iremos conseguir superar estas limitações quando a reconhecermos e a aceitarmos. Resumidamente, só se muda aquilo que se tem consciência. Os limites a que nos referimos dizem respeito aos limites do próprio ego, aos contornos da nossa personalidade, que precisam estar sempre bem delineados e contrastados do meio, até para não perdermos nossa própria integridade psicológica.

O que se busca reforçar é que o ego desta maneira é uma instância fundamental e necessária para a própria sobrevivência psicológica, e na verdade o que é necessário, no nosso processo de desenvolvimento continuado, é que o ego seja transcendido e não abandonado, o que de alguma forma poderia ocasionar em danos profundos a noção de individualidade.

O trabalho de transcendência do ego, como veremos nos próximos textos, pressupõe um ego bem estruturado e coeso. De forma que não precise necessariamente se apegar demasiado aos traços de orgulho e nem tão pouco nos complexos para sustentar, através das defesas, o seu caráter e sua integridade psicológica.

O trabalho de autoconhecimento é o ponto fundamental e a linha de partida para qualquer processo de desenvolvimento. Por isso, a orientação psicológica online é uma prática que têm em si o potencial de alavancar o processo de desenvolvimento humano em diversos sentidos.

Porém, enquanto uma prática extremamente recente, que se desenvolve em paralelo à própria psicologia e ao desenvolvimento da tecnologia da informação dentro dos seus preceitos éticos. Também se encontra em estágio de maturação e precisa alargar a percepção de si própria, através do reconhecimento e da provação científica dos seus limites e potenciais.

De qualquer forma, este desenvolvimento se dará com a prática através do encontro com a própria sociedade, no sentido de que esta também possa reconhecer suas demandas de superação através deste período histórico de mudanças. Que no encontro das necessidades do desenvolvimento científico e tecnológico possa surgir algo novo, que empregue à tecnologia um papel humanizado dentro do desenvolvimento individual e social.

 




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