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Morte e Renascimento do Ego
Postado em 23 de Março de 2016.

O sentido psicológico da Páscoa


Você já deve ter parado para pensar, algumas vezes na vida, sobre o simbolismo do processo de morte e renascimento representado pela passagem da Páscoa. Gostaríamos de desvincular estes conceitos dos preceitos religiosos, a fim de observar como se dá este fenômeno em um sentido psicológico no nível do ego.


Independente de qualquer visão religiosa, é um fato que a figura de Cristo representa um arquétipo relacionado a valores universais da própria humanidade, como por exemplo, o amor ao próximo. Quando falamos em arquétipos evocamos imagens que estão presentes no inconsciente coletivo. Assim, a Páscoa Cristã sugere um momento de reflexão sobre o processo de morte e renascimento de alguns valores dentro de nós mesmos.


O ego por sua vez, é uma instância psicológica que diz respeito à imagem que se tem de si mesmo. Desta forma, nos relacionamos com o mundo a partir desta instância, que nada mais é do que uma ideia, mas não se trata de qualquer ideia. O ego é uma imagem muito complexa, elaborada ao longo de toda uma vida, porém, ainda assim não passa de uma ideia.


Quando falamos em morte e renascimento em um sentido psicológico, nos referimos a modificações profundas e estruturais a nível do ego. Podemos dizer que o ego não é algo estático, sendo que as experiências emocionais causam pequenas modificações na visão que temos de nós mesmos, conforme nos afetam com maior ou menor intensidade. Porém, algumas transformações são mais profundas, e não partem necessariamente de estímulos externos.


Em momentos de crise, existe algo que brota das profundezas da consciência e emerge como um vulcão, muitas vezes destruindo tudo o que encontra pela frente. Passado algum período após o turbilhão, as emoções começam a se reacomodar a partir de uma nova dinâmica psicológica, e sentimos como se tivesse sido feita uma limpeza na nossa percepção.


Nestes momentos alguns pilares da estrutura do ego se abalam profundamente, algumas vezes o balanço é tão forte que podemos até acreditar que não iremos suportar. Porém, nossa mente possuí recursos fantásticos de readaptação, onde residem os verdadeiros potenciais de cura de cada um. Acontece que estes recursos somente surgem quando estamos muito próximos a este limite, que está relacionado a uma percepção de perda de controle, podendo ser associado a sensações de eminência de morte ou loucura.


Assim, em momentos de crises extremas a estrutura do ego é colocada à prova, assim como os alicerces de uma casa durante um terremoto. Se a casa não cair e sua estrutura não se romper, o próprio ego inicia um movimento de reconstrução altamente dinâmico e adaptativo a este novo contexto.


Este é um fenômeno já observado e estudado do ponto de vista psicológico como o processo de morte e renascimento do ego. Assim como muitas tradições ancestrais e mitológicas fazem referência a este processo psicológico, como a Fênix que reaparece das cinzas, e o renascimento de Cristo no Domingo de Páscoa.


Algumas técnicas transpessoais chamadas de rebirthing (renascimento) procuram evocar através de estímulos externos este processo por meio de uma vivência que possui efeitos catárticos, nos quais a pessoa chega a revivenciar sensações do próprio parto.


Aqui nos referimos a outro processo de morte e renascimento, no qual existe um estímulo interno partindo do centro da consciência individual. É obvio que esta reflexão é estimulada por vários elementos externos, porém existe um movimento interno que se abandona nesta morte simbólica. A partir do desapego a antigos padrões, deixa-se de lado tudo aquilo que não lhe serve mais, permitindo que alguns complexos fiquem pelo caminho.


O fato é que todos querem renascer, mas nem todos querem morrer, porém, em algum momento da vida esta morte simbólica se faz necessária, para que possamos nos abrir para o novo. Sabemos que este processo é sofrido, mas é somente o apego aos antigos padrões que ainda faz sofrer. Quando se acredita que o benefício que virá a partir da mudança será maior que o sofrimento da perda, nos encorajamos para passar por este processo.


É parecido com as roupas velhas no armário, enquanto não as tiramos ou doamos, não haverá espaço para as roupas novas. Precisamos nos livrar do excesso de bagagem e do peso morto, no sentido de tudo aquilo que ainda nos mantém presos a um passado que não nos serve mais.


Nestes momentos se atualiza a percepção em relação àquilo que realmente importa na vida, e surge uma nova orientação no mundo a partir de uma nova visão de quem somos, e do que podemos vir a ser, nos livrando das amarras do ego que não permitem que continuemos crescendo e nos desenvolvendo de uma forma saudável e plena. Existem muitas maneiras de se realizar este processo, e a análise da própria consciência é um dos pontos de partida. 


Como foi dito, o ego por mais complexo que seja não passa de uma ideia. Desta forma, podemos dizer com absoluta convicção que estas amarras são puramente mentais. Muitas vezes sentimos estes bloqueios no corpo através de sensações de paralisia ou apatia, e em nível mais extremo como estas próprias sensações de eminência de morte ou loucura, mas hoje sabemos que tem origem em crenças relacionadas à própria noção de ego.






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